I Seminário Comunicação e Poder no Maranhão

Será realizado, nos dias 24 e 25 de outubro, o I Seminário “Comunicação e Poder no Maranhão”. O evento está sendo articulado por 11 organizações sociais (veja lista abaixo), além de vários apoiadores, contando com três mesas de debate, uma oficina, sorteio de livros, exposição fotográfica, exibição de filmes e esquete teatral. A participação no evento é gratuita e o acesso é livre. Estão vindo, do interior do estado, indígenas, quilombolas e quebradeiras de coco, articulados pela Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão. Entre os estudantes universitários a procura também já é grande.

Para os que desejam certificado, haverá inscrições (também gratuita) on-line, pelo endereço https://goo.gl/forms/FPIv2xG2Q69RshKt2 ou na sede da Apruma, na Área de Vivência, no Campus do Bacanga. Estão ocorrendo também inscrição para monitores pelo fone (98) 984-08-85-80 (zap). Ao final das atividades na UFMA, haverá uma festa de reggae, no Odeon

Vejam, abaixo, a programação completa.

I Seminário Comunicação e Poder no Maranhão

No Auditório Central da UFMA

Dias 24 e 25 de outubro de 2017

Programação

Dia 24/10 – Terça-feira

8h – Credenciamento

8h e 30 – Abertura da exposição fotográfica: “Tentaram nos enterrar, mas não sabiam que erámos sementes”, da Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão.

9h e 30min –Saudação dos organizadores

10h – Mesa de debate com o tema:

Mídia empresarial, concentração de poder, patrocínio governamental e cooptação da imprensa

Mediadora:

Flávia Regina Melo – Jornalista, trabalhou em TV e jornal. Fez assessoria no setor público e privado. Foi Secretária de Estado da Comunicação no Maranhão. Foi uma das fundadoras da Revista Parla. Hoje edita o Blog Buliçoso.

Debatedores

Gustavo Gindre – Jornalista e integrante do Coletivo Brasil de Comunicação Social (Intervozes) de São Paulo. Especialista em regulação da atividade cinematográfica e audiovisual. Foi membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil.

Gil Quilombola – É um dos articuladores do Movimento Quilombola do Maranhão (Moquibom). Em 2012, recebeu, no Rio de Janeiro, o Prêmio João Canuto de Direitos Humanos, entregue pelo Movimento Humanos Direitos (MHuD).

Emilio Azevedo – Jornalista, autor de livros-reportagem. Em 2006, em São Luís, foi um dos organizadores do Vale Protestar, movimento que associou teatro popular e comunicação alternativa. Foi um dos fundadores do Vias de Fato.

14h – Sorteio de livros

14:30 – Mesa de debate com o tema:

Participação social, orçamento público e democratização da comunicação

Mediador

Cláudio Mendonça – É professor do Colégio Universitário (Colun/UFMA) e atual diretor de relações sindicais da Apruma, o sindicato dos professores da Universidade Federal do Maranhão.

Debatedores

Claudia Santiago – Jornalista e historiadora, integra a coordenação do Núcleo Piratininga de Comunicação (Rio de Janeiro), instituição que é referência no estudo da comunicação popular e sindical, no Brasil.

Wagner Cabral da Costa – Historiador, professor da Universidade Federal do Maranhão, pesquisador da estrutura oligárquica maranhense. Foi presidente da Sociedade Maranhense dos Direitos Humanos (SMDH).

Saulo Arcangeli – É sindicalista. Um dos coordenadores do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal e do MPU do Maranhão (Sintrajuf) e membro da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas – Central Sindical e Popular.

19h – Exibição de filmes:

Tocar fogo no mudo – linchamento Gamela, de Andressa Zumpano, Ana Mendes e CIMI.

Em busca do bem viver, de Murilo Santos, com produção das Pastorais Socais.

Dia 25/10 – Quarta-feira

8h – Sorteio de livro

9h – Oficina

Esta oficina será realizada por dois jornalistas, Caio Castor e Pedro Ribeiro Nogueira, da Agência Pavio (São Paulo). Será uma atividade voltada para vídeos reportagens (inclusive com o uso do celular), utilizando teorias e técnicas do cinema popular, do jornalismo de guerrilha e do documentário; com o objetivo de fortalecer o surgimento de novas/os comunicadoras/os populares, ajudando a desconstruir a figura vertical do comunicador, propondo a ação audiovisual como ferramenta de mobilização e transformação social.

14h – Sorteio de livros

14h e 30 min

Mesa de Debate com o tema:

Os desafios de uma comunicação popular

Mediadora – Marivania Furtado – Cientista social e professora. É coordenadora do Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Lutas Sociais, Igualdade e Diversidade (LIDA) da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e Coordenadora da Licenciatura Intercultural Indígena.

Debatedores

Rosenilde Gregório (Rosa) – É Quebradeira de Coco, foi uma das fundadoras do Movimento Interestadual das Quebradeira de Coco Babaçu (MIQCB) e hoje faz parte da coordenação desta organização. Na década de 1980, esteve entre as primeiras mulheres a entrar no sindicalismo rural do Maranhão, se impondo diante do machismo vigente.

Kum`tum Akroá Gamela – Agente pastoral, foi coordenador da Comissão Pastoral da Terra no Maranhão (CPT-MA). Indígena Gamela, vive hoje, novamente na baixada maranhense, lutando ao lado do seu povo, pela retomada das terras que lhes foram roubadas.

Pedro Ribeiro Nogueira – Jornalista, foi um dos fundadores da Agência Pavio (São Paulo).

Trabalhou, entre outros, para o Portal Terra, Plataforma Cidades Educadoras, jornal Le Monde Diplomatique e nas revistas Sem Terra e Caros Amigos.

Ed Wilson Araújo – Jornalista e professor do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). É o atual presidente da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias no Maranhão (Abraço-MA).

18h – Leitura da carta do I Seminário de Comunicação e Poder no Maranhão

19h – Reggae Resistência; a festa de encerramento do Seminário, organizada pela Casa 161, no Odeon Sabor e Arte, com shows de Núbia e da Banda Casarão Verde. O ingresso da festa será R$ 20,00, com meia para estudantes.

Organização:

Jornal Vias de Fato; Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço-MA), Coletivo Nódoa, Apruma SS, Teia de Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão, CSP-Conlutas, Sindicato dos Bancários, Blog Buliçoso, Movimento de Defesa da Ilha de São Luís, Carabina Filmes, Casa 161 (residência artística)

Apoio Pedagógico:

Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Lutas Sociais, Igualdade e Diversidade (LIDA) da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA); Núcleo Piratininga de Comunicação (Rio de Janeiro) e Sociedade Maranhense de Mídia Alternativa e Educação Popular Mutuca.

Apoio:

Caritas Brasileira, Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Comissão de Direitos Humanos da OAB-MA, Comissão Pastoral da Terra (CPT-MA), GEDMMA (UFMA), GEPES (UFMA), Irmãs de Notre Dame, Justiça nos Trilhos, MIQCB, MOQUIBOM, NERA (UFMA), NURUNI (UFMA), Observatório de Experiências Expandidas em Comunicação (ObEEC/UFMA), QUILOMBO URBANO, Radio Boa Notícia (Balsas), Rede Amiga da Criança, SINASEFE/MARACANÃO, SINASEFE/MONTE CASTELO, SINDSALEM, SINDSEP, SINTSPREV.

Deixe-me viver: São Luís pede socorro!

 

DA REDAÇÃO DO VIAS DE FATO

Neste ano de 2017, no próximo mês de dezembro, fará 20 anos que São Luís/MA foi tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, a União das Nações Unidas para a Ciência, a Educação e a Cultura.  A cidade maranhense é, ao lado de Salvador/BA, a única capital do norte e nordeste brasileiro a possuir esse título.

E o que mudou a partir desse tombamento? O que melhorou na vida dos seus habitantes? Houve algum tipo de avanço social?  Não, não houve melhora. Ao longo dessas duas décadas, não foram feitos investimentos levando em conta a imensa e diversificada riqueza cultural da cidade, detentora de um patrimônio que vai muito além do belo acervo arquitetônico do seu Centro Histórico, passando por tradições, manifestações artísticas, modos de vida e meio ambiente.  Em termos de turismo, a cidade tornou-se apenas uma passagem para os Lençóis Maranhenses…

A partir de um modelo de desenvolvimento que prioriza violentos enclaves, a cidade de São Luís, localizada na Ilha de Upon-Açu, tem sido atacada pela ação predatória e avarenta de uma elite que reúne políticos e empresários, de dentro e de fora do Maranhão. É uma ação que devasta, polui e mata. Destrói a vida e a cultura.  As empresas Vale e Alumar são os dois principais enclaves, isto é, elas estão dentro de um território, mas inteiramente desvinculadas da vida e dos interesses socioeconômicos da imensa maioria da população local.

No famoso Poema Sujo, o maranhense Ferreira Gullar, ao falar da São Luís da sua infância e juventude (décadas de 1930 e 40), cita “a vida a explodir por todas as fendas da cidade”. Trata-se do mesmo “paraíso tropical” que ele registrou em várias entrevistas. Um lugar decantado por suas palmeiras e sabiás; tambores e poesias; danças, ritmos, azulejos e sobrados; praias, camarões e caranguejos; lendas e mistérios; arroz de cuxá, peixe frito e farinhas d`agua; ladeiras, mirantes e cantarias; matracas, radiolas e pandeiros; mangas, cajus, bacuris, sapotis e juçaras. Mas a ação dessa elite predadora não respeita pescador, rio, pé de babaçu, casarão ou a Unesco.  Ela tenta passar por cima de tudo e de todos – ecologia, povos, tradições – que possam impedir os seus lucros. Só seus lucros lhes interessam! Se depender desses piratas, cada vez menos a vida explodirá pelas “fendas da cidade”.

Mas a questão não se resume exclusivamente a sensibilidade de alguns poetas. Hoje, um problema fundamental de São Luís passa diretamente pela revisão do Plano Diretor e da tentativa de mudar a Lei de Zoneamento, Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo da cidade, num processo que se arrasta desde 2015.  É um problema sério. Que compromete o presente, o passado e o futuro. Um problema que nem todos entendem.  Por isso ele se torna maior.

O prefeito Edivaldo Holanda Junior quer promover mudanças para atender aos interesses da empresa Vale e de seus satélites locais, a Federação da Industria do Maranhão (Fiema), a Federação do Comércio, o sindicado patronal da construção civil (Sinduscon), entre outros.  Nos textos oriundos da prefeitura, enviados para a imprensa local, esses empresários são chamados de “setor produtivo”. Mas o que eles produzem? E pra quem eles produzem?

Em 2012, a empresa Vale, que há mais de 30 anos parasita a Ilha de São Luís e os territórios do Maranhão e do Pará, foi apontada como “a pior empresa do mundo”, numa eleição que é promovida anualmente, desde 2000, pela organizações Greenpeace (Holanda) e Declaração de Berna (Suíça). O prêmio é sempre divulgado durante o Fórum Econômico Mundial de Davos e, no caso da Vale, além da mídia alternativa, a notícia repercutiu bastante em veículos conservadores, como jornal O Estado de São Paulo, o G1 (Globo) e a revista Exame. No site dessa premiação, a indicação da mineradora Vale foi justificada pelo seguinte texto: “uma história de 70 anos manchada por repetidas violações dos direitos humanos, condições desumanas de trabalho, pilhagem do patrimônio público e pela exploração cruel da natureza”.

No último dia 14 de agosto, o trem da Vale atropelou um senhor de 75 anos, no interior do Maranhão. Matou! É mais um crime dessa empresa em solo maranhense.  Só entre os anos de 2014 e 2016 foram registrados 126 atropelamentos cometidos pelo trem da Vale, nesse trajeto que vai do sudeste do Pará até a cidade de São Luís. Desse total, 26 morreram. A Vale não toma providências. Ignora completamente as sucessivas tragédias! As mortes continuam. Como já afirmamos aqui, o que interessa aos piratas e enclaves econômicos é o lucro.  Para eles, a vida do povo não tem valor. É lixo!  Pois é para esse “setor produtivo” que o prefeito Edivaldo Holanda Junior está operando. É para esse tipo de “investimento” que ele quer submeter, definitivamente, a cidade de São Luís. É ou não é pra pedir socorro?

Plano Diretor e porto “da Lava Jato” 

E por que a Vale, o prefeito Edivaldo Holanda Junior e os demais “empresários” querem o mudar o Plano Diretor de São Luís? São três as questões que estão em jogo:

(1) Eles querem a criação de novas zonas portuárias e industrias, sem se preocupar em atingir a cultura, os povos rurais e seus modos de vida, devastando o que resta de área verde na Ilha.  É transformar o que resta de “paraíso tropical” em deserto.

(2) Querem a ampliação dos usos industriais permitidos, o que, entre outras coisas, aumentaria ainda mais os índices de poluição de São Luís, que hoje já são muito graves e elevados, apesar do desconhecimento de boa parte de seus habitantes e da indiferença, omissão, negligencia ou concordância de várias esferas do poder público. Em entrevista concedida para o jornal Vias de Fato, em 2015, o advogado Guilherme Zagallo revelou que os índices de poluição de São Luís estavam iguais aos que existiam na cidade paulista de Cubatão, considerada, no passado, a cidade mais poluída do Brasil. Os responsáveis por essa poluição são as empresas Vale, Alumar e a Termelétrica a carvão. Ainda cabe mais? Não! São Luís precisa diminuir a emissão de poluentes. É uma questão de saúde pública!

(3) E finalmente, eles querem poder construir prédios de até 31 andares, sem levar em consideração qualquer tipo de planejamento urbano, incluindo saneamento básico, mobilidade urbana e o precário fornecimento de água que há muito tempo ocorre na cidade. Em São Luís, até mesmo o programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, pela ação irresponsável (para dizer o mínimo) de empreiteiros, provocou desastre ambiental, comprometendo inclusive a tradicional Festa da Juçara, que há quase 30 anos ocorre na Zona Rural da cidade. Além disso, é bom lembrar que desde a década de 1980, uma parte significativa da população é abastecida de água a partir do continente, isto é, do mal tratado Rio Itapecuru. É comum a falta de água. Faz parte da rotina. Mesmo em setores da elite o abastecimento, em muitos casos, ocorre através de carros pipas. E todos os anos são destruídas nascentes de rios, exatamente por conta da ação de empresários/piratas. Um exemplo é o Shopping da Ilha (da construtora capixaba Sá Cavalcante), que destruiu a Vila Cristalina, que tinha esse nome por conta das várias nascentes hídricas.

É nesse ambiente de lesa-humanidade, que uma empresa paulista pretende construir um porto dentro do perímetro da Reserva Extrativista de Tauá-Mirim, maior área verde de São Luís (que corresponde a cerca de 10% da Ilha) e uma das mais piscosas do município. A empresa é a WPR, uma subsidiária da WTorre, hoje enrolada e investigada na Operação Lava Jato. Nesse caso, um empresário pode ganhar um porto para seus interesses escusos e privados, enquanto pescadores perdem seu trabalho e a cidade fica sem o seu pescado, com parte significativa do seu meio ambiente destruído, afetando negativamente suas tradições, cultura etc.

Um fato importantíssimo nessa questão do porto é que há poucos metros da praia de Parnauaçu, a área onde essas figuras investigadas por formação de quadrilha querem fazer seus empreendimentos particulares, fica o Terreiro do Egito, o mais antigo espaço sagrado do Tambor de Mina em São Luís, religião fundamental do Maranhão. É por ali que passa a história dos famosos Tambores de São Luís, os mesmos que dão nome a obra prima de Josué Montello. Atingir essa memória seria mais uma tentativa de violência contra o povo citado no hino da cidade, onde Bandeira Tribuzzi fala de “tambores do congo, gemendo e cantando, dores e saudades, a evocar martírios, lagrimas e açoites…”. Ali, no Terreiro do Egito, estão as raízes de um povo. E todo respeito é pouco.

Defesa da Ilha contra o “vale tudo”

A Lei Federal n 10257, denominada Estatuto da Cidade, estabelece que todo Plano Diretor precisa ser revisto, pelo menos, a cada 10 anos. O de São Luís passou por uma revisão em 2006, logo, ele está vencido. Edivaldo Holanda Junior não fez a revisão no ano passado, por conta da eleição, temendo um desgaste eleitoral, pois seria novamente candidato. Em 2015, Edivaldo tentou fazer a revisão, mas foi denunciado por integrantes do Conselho da Cidade, que entraram com uma representação junto ao Ministério Público Estadual, fato que resultou num inquérito. E onde estava o problema?

Há dois anos, o atual prefeito já estava agindo, ao arrepio da Lei, para mudar o Plano Diretor, prejudicando o conjunto da polução, para servir, exclusivamente, aos interesses de empresários escusos, a quem ele chama de “setor produtivo”.  Para revisar um Plano Diretor é preciso fazer audiências públicas (é o que diz a Lei Federal). Em 2015, através de seus assessores e secretários municipais, Edivaldo forjou 13 “audiências públicas”, para tentar legitimar as mudanças pretendidas. O termo forjou é adequado, pois as audiências eram realizadas sem a devida publicidade, o que resultava em atividades com a quase absoluta ausência de público. Só compareciam os assessores do prefeito e os representantes dos empresários, além dos integrantes do Conselho da Cidade, com alguns deles decidindo denunciar a farsa. E assim foram feitas (forjadas, encenadas) 13 audiência.  Outra ação questionada pelos conselheiros é que a mudança proposta em 2015 não tratava do Plano Diretor em sua totalidade, mas apenas de um capítulo, exatamente o capítulo que favorece os interesses dos empresários.

Com as denúncias já encaminhadas ao Ministério Público, alguns integrantes do Conselho da Cidade, somados a movimentos sociais, professores, advogados, comunicadores, estudantes, trabalhadores rurais, sindicalistas, criaram o Movimento de Defesa da Ilha, que propõe a realização de verdadeiras audiências públicas, onde possa ser discutido todo o Plano Diretor, não apenas um de seus capítulos. Diante dessa reação, o prefeito e seus aliados recuaram, deixando passar a eleição de 2016.

Agora, em agosto de 2017, a Prefeitura de São Luís distribui texto para a imprensa local anunciando que “durante o mês de setembro, vai realizar quatro audiências para debater o novo Plano Diretor da cidade, concluindo esta etapa antes de encaminhar o projeto para o Legislativo”.  Quando fala “concluindo”, a prefeitura pretende validar todas as audiências realizadas sem o conhecimento da população de São Luís.

E segundo o mesmo texto da prefeitura, quem decidiu tudo isso foi o Conselho Municipal de Desenvolvimento Econômico Social (Comdes), em reunião realizada no dia 8 de agosto na Associação Comercial.  E o que significa esse Conselho? Quem criou? Quem faz parte dele?

O tal conselho – que tem a pretensão de determinar o futuro de São Luís – foi criado em 2015, por iniciativa de Edivaldo Holanda Júnior, com o objetivo de “aglutinar o poder público, o setor produtivo e a sociedade civil”.  Na realidade, trata-se de uma associação entre burocratas e empresário, incluindo a mineradora Vale, a locomotiva desse trem assassino. E é a partir desse conselho que Edivaldo sinaliza que vai para um vale tudo.

O prefeito opta por se utilizar de outro conselho, pois não tem a unanimidade no Conselho da Cidade, apesar de ter uma maioria, formada exatamente pelos burocratas e representantes das empresas.  Mas pelo fato de haver conselheiros da cidade que buscaram o Ministério Público, ele faz essa manobra tosca.  Nem Edivaldo, nem os empresários querem debate. Por isso tentam impor um rolo compressor.  Esta nova opção do prefeito, mais uma vez, descumpre a lei. O Ministério Público, certamente, será novamente solicitado.

Além disso, quais as próximas cenas desse filme que sugere tragédia e suspense? O Movimento de Defesa da Ilha vai se mexer. É bom lembrar que, em 2005, o Movimento Reage São Luís obteve uma vitória contra essa mesma Vale. Mas, caso o novo Plano Diretor seja aprovado na base da força bruta (sem o devido debate e com apoio ou omissão de outras esferas do poder público), Edivaldo Holanda, eleito com pouco mais de 30 anos com um discurso que prometia mudanças, entrará para histórica como um dos prefeitos mais perniciosos para a vida na cidade de São Luís. Um engodo, reeleito no ano passado na base do velho abuso de poder, surfando num retardado asfalto sonrisal.  E sem demonstrar maior apetite político, agindo mais como uma marionete, ele não parece muito preocupado com a desmoralização iminente. Tudo indica que debaixo desse angu existe um “compromisso de fé” com os empresários gananciosos, isto é, com o “setor produtivo”.

O Movimento de Defesa da Ilha, que até o momento não teve um espaço devido na grande mídia maranhense, chama a atenção para todo esse problema e propõe que, após 11 anos da aprovação da Lei que definiu o atual Plano Diretor de São Luís, seja promovido um amplo debate sobre o futuro de São Luís, buscando envolver todos os setores sociais, levantando quais os problemas mais graves da cidade.

Se não for feito isso, a população corre um o risco seríssimo de ter uma cidade com fornecimento de água ainda mais comprometido; com ampliação dos problemas de saneamento básico; com um trânsito cada vez mais engarrafado; com aumento da poluição e da devastação ambiental e, portanto, com uma população cada vez mais doente. Além disso, as alterações climáticas, provocadas pela construção de prédios com até 31 andares e as novas indústrias, levarão a elevação da temperatura. É mais calor! Cabe ainda destacar que a transformação de povoados rurais em zonas industriais ou portuárias implicarão em deslocamento de grupos sociais para as periferias urbanas, o que certamente contribuirá para o crescimento dos já graves problemas de violência que a cidade enfrenta cotidianamente.

O que está em jogo é o direito à vida de toda uma cidade, contra os interesses de alguns ditos empresários, que agem rotineiramente como meliantes.  É saber se São Luís continuará a merecer um título de “patrimônio cultural da humanidade” ou será apenas um cemitério e corredor de exportação, por imposição do capital internacional.  E se Edivaldo já se colocou na posição de mero capataz, o Movimento de Defesa da Ilha, diante da gravidade da situação, certamente cobrará posição do atual governador Flávio Dino (padrinho do prefeito) e do grupo de Sarney, que é inclusive avalista do atual Ministro do Meio Ambiente.

Socorro!

 

Nos dias 19 e 20, em São Luís (MA), acontece a 2ª Plenária Operária e Popular da CSP-Conlutas

A capital do Maranhão, São Luís, foi o local escolhido para a realização da 2ª Plenária Operária e Popular da CSP-Conlutas, nos próximos dias 19 e 20 de agosto. A atividade acontecerá na UFMA (Universidade Federal do Maranhão) e pretende reunir novamente, a exemplo da atividade já realizada em São Paulo este ano, centenas de trabalhadores e ativistas dos movimentos operário e popular.

O objetivo da plenária é debater e organizar as lutas dos vários setores do movimento nas regiões Norte e Nordeste e preparar a participação no 3º Congresso da CSP-Conlutas, que acontecerá em outubro.

A expectativa é a realização de um grande encontro com a participação de ativistas e lutadores da região, que é marcada por várias lutas e conflitos no campo e na cidade, e por combativos movimentos sociais. Estarão presentes organizações como o Moquibom (Movimento Quilombola do Maranhão), o Quilombo Urbano, entre outras.

“Queremos reunir as lideranças e os ativistas da luta popular e operária do Norte e Nordeste. Vamos juntar os indígenas, em especial os Gamelas que lutam pelo seu território e sofreram um brutal ataque no mês de maio; os quilombolas, que protagonizam uma das mais bonitas lutas de resistência negra e por território, enfrentando jagunços, pistoleiros e os supostos donos das terras; o Quilombo Urbano, do movimento hip hop que organiza a juventude negra e pobre da periferia de São Luis”, explicou Wagner Silva, do Movimento Quilombo Raça e Classe e integrante do setorial do Campo da CSP-Conlutas.

“Queremos também a presença das mulheres negras, em particular o movimento Preta Anastácia, que resiste nas periferias, organizando as mulheres jovens, contra a violência, o machismo, o feminicídio e pela auto-estima da mulher negra na luta por direitos”, disse também Cláudia Durans, que é professora e também militante do Movimento Quilombo Raça e Classe.

Representantes de comunidades da zona rural de São Luis também deverão estar presentes. Na região, acontece uma forte luta de famílias contra o avanço de indústrias poluidoras que querem desalojar comunidades centenárias.

Sindicatos filiados à CSP-Conlutas, como a Apruma – seção do Andes/SN, o Sinasefe e do judiciário federal também estão na organização da atividade. Lideranças como o indígena Inaldo Gamela (vídeo abaixo) e o seringueiro Osmarino Amâncio estarão presentes e o objetivo é ter a presença também dos operários(as) da construção civil de Fortaleza (CE) e Belém (PA).

Reforçar o caráter operário e popular da Central

Wagner Silva destaca a importância da atividade não só no fortalecimento das lutas na região, mas também para a consolidação do caráter operário e popular da CSP-Conlutas.

“Temos aqui no Maranhão importantes lutas do cenário nacional, como a luta dos gamelas e dos quilombolas, por exemplo, que passam por fora dos tradicionais aparatos sindicais e expressam a diversidade das lutas dos trabalhadores e do povo pobre e oprimido do país. A CSP-Conlutas tem tido intervenção nesses espaços o que reforça a concepção de central que queremos construir, operária e popular”, disse Wagner.

Esquenta para o 3º Congresso da CSP-Conlutas

Wagner destacou ainda que a atividade terá um caráter de “esquenta” para o 3º Congresso da CSP-Conlutas. A exemplo da 1ª Plenária Operária e Popular, realizada em São Paulo, o objetivo também é elaborar um manifesto para ser levado ao Congresso da Central, que acontecerá em outubro.

Em São Paulo, no dia 8 de junho deste ano, cerca de 150 ativistas, de 50 organizações dos movimentos sindical, popular e de luta contra as opressões, participaram da plenária e debateram as lutas e a necessidade da unidade entre os vários segmentos da classe trabalhadora contra os ataques dos governos. Ao final, foi elaborado um Manifesto que chama à construção do 3º Congresso da CSP-Conlutas e defende o fortalecimento do seu caráter operário e popular e de independência de classe.

Fonte: http://cspconlutas.org.br

A partir de 15 de agosto: III Simpósio Internacional de Ciência Política em São Luís

O III SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CIÊNCIA POLÍTICA – 100 ANOS DA REVOLUÇÃO RUSSA: revolução, contrarrevolução e imperialismo tem como parceiros o Núcleo de Estudos Ideologias e Lutas Sociais (NEILS/PUC/SP), o Núcleo de História Contemporânea (NUPEHIC/UEMA) e o Grupo de Estudos de Políticas Econômicas e Sociais (GEPES/UFMA), com apoio de grupos de pesquisa e de movimentos sociais. A abrangência do tema indica o caráter internacional do evento, com a participação de pesquisadores do Brasil, da América Latina e da Europa, com a perspectiva de aprofundar o debate teórico sobre a atual conjuntura política mundial. Paralelamente às conferências, os temas se expandirão em mesas-redondas, mesas coordenadas e atividades culturais, conformando um amplo temático que permitirá a participação nacional e local de alunos da graduação e da Pós-Graduação, agentes de movimentos sociais, militantes de partidos políticos e expositores orais.

A proposta é uma chamada necessária para a reflexão crítica e atualizada também dos processos emancipatórios, neste momento em que o capitalismo em sua fase de maior centralização de capitais vivencia uma crise de proporções globais, com impactos nos países de capitalismo avançado ou periféricos.

Trata-se, portanto, da realização de um balanço crítico do significado da revolução Russa de 1917, primeiro marco histórico revolucionário do século XX e, conseqüentemente, a contraposição dos processos revolucionários mundiais e suas mais recentes formas de imperialismo. É um esforço que demanda revisitar o campo historiográfico, sociológico e político dos 100 anos da revolução, que se apresentou ao mundo e permanece como referência para os propósitos de transformação das relações econômicas, sociais e humanas.

Mais informações no site https://scpuema.wordpress.com

O histórico de violência e os ensaios do grupo Sarney para 2018

O grupo Sarney insiste em propagar a “notícia” de que Roseana será candidata ao governo no ano que vem. Nas redes sociais, a todo momento, surgem grupos com o nome “Volta Roseana”. Outra informação/boato seria de que a mesma Roseana estaria prestes a assumir um ministério no governo do seu correligionário, o golpista Michel Temer (PMDB). Alguns meses atrás, o deputado federal Sarney Filho (PV), atual ministro do meio ambiente, já havia anunciado que é pré-candidato ao senado.

A boataria indica que, ao contrário de 2014, onde o núcleo familiar do grupo Sarney ficou inviabilizado e praticamente não participou da campanha (nem no Maranhão, nem no Amapá), dessa vez ele voltará com a velha ambição de sempre ou, pelo menos, com parte daquela antiga ambição.

Caso Roseana se candidate ao governo em 2018, será a quinta vez que ela disputará o comando do Palácio dos Leões. A primeira foi em 1994, onde ela “venceu” Cafeteira no segundo turno, com uma diferença de pouco mais de 1% dos votos, num pleito marcado por escandalosa fraude eleitoral e violência política. Naquele tempo, o voto não era eletrônico e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) mantinha relações bastante estreitas com José Sarney. Só para que se tenha uma ideia, em dezembro de 1994, na cerimônia de entrega dos diplomas dos “eleitos” no Maranhão, Sarney (já senador pelo Amapá) participou de todo o evento, sentado na mesa ao lado dos dirigentes (juízes/desembargadores) do TRE. Já o caso Reis Pacheco (onde Cafeteira foi caluniado como assassino), revela para história até onde foram os métodos de Sarney para fazer da filha governadora pela primeira vez.

Em 1998, na reeleição de Roseana, praticamente não houve disputa na campanha majoritária e a filha de Sarney deu um passeio, se “reelegendo” ao governo acompanhada de João Alberto, que conquistou ali seu primeiro mandato de senador. A candidatura majoritária de oposição de maior expressão em 1998 foi de Haroldo Sabóia (na época do PT), que mesmo com uma estrutura modesta, teve grande votação para o senado, chegando em segundo lugar, polarizando com João Alberto. Outro fato marcante daquela eleição foi o assassinato do ex-prefeito de Imperatriz Davi Alves Silva, que era candidato a deputado federal e tido como o maior puxador de votos, em uma das chapas concorrentes a do grupo Sarney.

Em 2006, a então senadora Roseana tenta voltar ao Palácios do Leões, mas perde para Jackson Lago. José Reinaldo (ex-PFL) era o governador do Maranhão na ocasião e estava rompido com Sarney, seu antigo padrinho. Sem o apoio do Palácio, a candidatura da filha do oligarca não conseguiu montar o velho rolo compressor de 1994 (com deputados, prefeitos, juízes e empresários) e perdeu no voto. Naquela ocasião, o povo foi para a rua a partir da mobilização do Vale Protestar, que resultou na campanha Xô Rosengana. Inconformado com o resultado das urnas Sarney orquestrou em Brasília o chamado “golpe pela via judiciária”, tirando Jackson do governo em 2009 e recolocando, mais uma vez na marra, sua filha no Palácio dos Leões.

Em 2010, instalada novamente no Palácio, Roseana vai para sua quarta disputa e “vence” no primeiro turno, com pouco mais 50% dos votos, em mais um caso de escandaloso abuso de poder político e econômico, onde até pessoas ligadas a família de Sarney foram presas por compra de votos. Naquele disputa, Flávio Dino (PC do B) ficou em segundo lugar e Jackson Lago em terceiro. Após o resultado da eleição de 2010, algumas organizações sociais entraram na Justiça, numa ação que contou com a assinatura do padre e advogado Victor Asselin.

Todos os quatro governos (ou desgovernos) de Roseana foram marcados pelo descalabro administrativo, clientelismo, escândalos, várias denúncias de fraudes e corrupção, obras fantasmas etc. Logo no primeiro mês, do primeiro governo (em janeiro de 1995), o então deputado estadual Aderson Lago denunciou que Roseana pagou 33 milhões de dólares por uma estrada que não havia sido feita, entre os município de Paulo Ramos e Arame. Aquele era só o anúncio do que viria nos anos seguintes… Vinte anos depois, já no final do seu quarto e último governo (2013/2014), Roseana deixou o estado entregue aos traficantes, dando a sensação (ao Brasil e ao mundo) que o comando político do Maranhão tinha sido transferido do Palácio dos Leões para a penitenciária de Pedrinhas.

Diante desse histórico, muitos analistas apostam que Sarney só lançará novamente Roseana ao governo do Maranhão, em 2018, na hipótese de Michel Temer (parceiro do “evangelista” Eduardo Cunha e do próprio Sarney) conseguir ficar até o final do mandato, tendo força política para interferir no processo eleitoral. Nesse caso, o velho candidato a faraó do Maranhão (que chegou a reservar espaço para um mausoléu no Convento das Mercês) aposta também numa onda conservadora e num possível desgaste do atual governador maranhense, Flávio Dino (do PC do B), a quem Roseana já começou a chamar de Pinóquio…

Fonte: Vias de Fato

EDITORIAL – Comunicação bomba suja no Maranhão!

No último dia 7 de maio, o Jornal Pequeno publicou uma matéria, com chamada de primeira página, onde está dito que Flávio Dino, segundo uma pesquisa que teria sido feita pelo site G1, seria hoje um dos dois governadores do Brasil que tem mais “promessas de campanha total ou parcialmente cumpridas”. Ao observar esta pesquisa, perguntamos como estaria a avaliação do atual governador maranhense no que se refere à Comunicação Social, uma área fundamental para a democratização do Estado e o rompimento da estrutura oligárquica.
Logo depois que Flávio Dino se elegeu governador do Maranhão, em novembro de 2014, antes de tomar posse, ele deu uma entrevista ao programa Observatório da Imprensa (TV Brasil), onde afirmou que pretendia conduzir a comunicação do seu governo “de maneira profundamente democrática”, com “apoio a outras redes de comunicação”, porque este seria “o modo de autenticamente romper com a oligarquia,” de “alterar uma cultura política”. Segundo Flávio Dino, nesta mesma entrevista, seu governo faria com que, em relação à comunicação, o poder fosse fracionado, pertencendo ao cidadão. Ao governo caberia “facilitar, possibilitar, ativar, estimular, para horizontalizar as relações de poder”, fundando uma “nova institucionalidade”. Em agosto de 2013, no 5º Congresso Estadual de Rádios Comunitárias do Maranhão, ainda na fase de pré-campanha eleitoral, o mesmo Flávio Dino, ao falar de mídia, disse que “é necessário reverter esse modelo que hoje concentra renda e poder. Uma comunicação democrática fortalece a sociedade, pois as vozes dos excluídos, dos invisíveis, dos esquecidos podem e devem ser ouvidas”. Esta declaração foi reproduzida no site oficial do PCdoB, o Portal Vermelho. Todo esse discurso foi muito bonito e sua avaliação, na época, oscilou desde o otimismo exagerado de uns, até o ceticismo absoluto de outros.
A questão hoje, em 2017, é medir o fosso que separa as palavras da campanha de Flávio das ações do atual governo. É saber se, em relação à comunicação, o governador está cumprindo com suas promessas. Se ele deu passos no sentido de democratizar a mídia no Maranhão.
A Policia Federal revelou, no dia 21 de março de 2017, uma investigação que envolve um servidor da própria PF (que estava exercendo cargo de secretário-adjunto no governo estadual) e um grupo de editores de blogs, suspeitos de estarem extorquindo dinheiro de políticos e empresários. O caso repercutiu e suscitou várias opiniões sobre um antigo modo de (não) fazer jornalismo, baseado em chantagens e no velho jabá (a propina, no jargão da imprensa). No meio das notícias e pedidos de prisão, mesmo que venha a ser comprovado algum delito, esses blogueiros nos parecem peixes menores, se comparados aos poderosos tubarões da mídia maranhense, os velhos e os novos.
Sobre esse assunto ligado à mídia maranhense, no dia 1º de janeiro deste ano de 2017, o atual governador do Maranhão, Flávio Dino, publicou artigo no Jornal Pequeno prestando contas do seu mandato. Nesse texto ele diz: “Estamos também mostrando ao país que nós repudiamos a imagem de falcatruas que tanto mancharam nosso passado, por força de uma elite que sugou os recursos do Estado para construir impérios de mídia e fortunas pessoais inimagináveis, que mantêm sucessivas gerações sem trabalhar, vivendo só de heranças”.
A afirmação do governador nos remete a uma outra investigação da Polícia Federal, quando a mesma afirmou, em inquérito aberto na década passada, que o empresário Fernando Sarney, o homem que comanda o Sistema Mirante de Comunicação, seria “chefe de uma organização criminosa”. Na época, o assunto repercutiu nos quatro cantos do Brasil, mas Fernando Sarney conseguiu escapar de condenação judicial e não passou pelo constrangimento de um pedido de prisão. Roseana Sarney foi governadora do Maranhão quatro vezes. Nesse período, o governo do Estado repassou rios de dinheiro para a Mirante, o sistema de comunicação que reúne empresas da família de Sarney. A montagem desse sistema iniciou no começo da década de 1970, quando Sarney já era um ex-governador e comprou o jornal O Dia, logo depois rebatizado de O Estado do Maranhão. Na década de 1980, surgem a Rádio e a TV Mirante. Em 1991, Sarney associa-se à Rede Globo e consolida a força do seu grupo midiático. Naquele ano de 1991, o SBT (que, até então, era transmitido pelo sinal da Mirante de Sarney) vinculou-se ao então governador Edison Lobão, através da TV Difusora, quando esta foi comprada por Edinho Lobão, que exercia a função de secretário particular do pai governador. A montagem desse arsenal midiático no Maranhão passou, sem dúvida, pela drenagem de recursos públicos, que abarrotaram os cofres da oligarquia, por intermédio de agências de propaganda, criando os “impérios de mídia”, citados no artigo de Flávio Dino. Em duas décadas, o Maranhão tornou-se o Estado brasileiro com maior concentração midiática, conforme atesta o trabalho apresentado, em 2002, na revista Caros Amigos, pelos pesquisadores Daniel Herz, Pedro Luiz Osorio e James Görgem. O título que apresentou a pesquisa foi: “Aqui a democracia não entra”.
Hoje, já em meados do terceiro ano do mandato do atual governador maranhense, o Sistema Mirante/Sarney recebe rotineiramente vários anúncios do governo estadual, muitos deles feitos em “horário nobre”, a peso de ouro. Além disso, a TV Difusora, de Lobão, devidamente patrocinada pelo mesmo governo do Estado, tornou-se porta voz do Palácio dos Leões, depois que passou a ser controlada, em 2016, pelo deputado federal Weverton Rocha (PDT), antigo dirigente da UMES, conhecido “pela obra” que (não) fez no ginásio Costa Rodrigues, por agir em favor de grileiros de terras e de madeireiros, contra os interesses do povo indígena Awá Guajá. Recentemente, no último dia 28 de março, este deputado tornou-se réu no Supremo Tribunal Federal, por conta da obra não realizada no Costa Rodrigues. O Ministério Público Federal lhe acusa de crimes “de violação à Lei de Licitações e peculato”. Quem representa Weverton na Difusora, após o acordo com Edinho Lobão, é o mordomo Zeca Pinheiro, o mesmo que foi secretário de comunicação do governo de Jackson Lago e, logo depois da morte do ex-governador, foi nomeado por José Sarney como assessor do Senado Federal. Aliado preferencial de Flávio Dino, Weverton Rocha, que hoje é uma espécie de dono do PDT, estaria planejando ocupar o lugar de Edison Lobão na política maranhense: ele quer ser senador da República e proprietário da TV Difusora. Se assim como Fernando Sarney ele conseguir escapar da Justiça, teremos no Maranhão um novo “imperador de mídia”? É isso mesmo? É a “nova” institucionalidade?
Segundo o Portal da Transparência do governo do Maranhão, somente em 2016, a Secretaria de Comunicação do Estado empenhou um total de R$ 91.950.417,16 (noventa e um milhões, novecentos e cinquenta mil, quatrocentos e dezessete reais e dezesseis centavos). Desse montante, já em 2016 foram pagos 55.107.100,04 (cinquenta e cinco milhões, cento e sete mil, cem reais e quatro centavos). Uma parte significativa desse recurso foi para agências de propaganda, entre elas a Clara, a Mallmann e a Eurofort. São essas agências que repassaram o dinheiro para os veículos de comunicação. Existe ainda um contrato de R$ 3.555.000,00 (três milhões, quinhentos e cinquenta e cinco mil reais) entre a EMAP, a empresa que administra o Porto do Itaqui e a baiana Leiaute Comunicação e Propaganda, que começou a vigorar desde junho de 2016. A contemplada foi a mesma que fez a propaganda eleitoral do governador nas eleições de 2014. Existe também um contrato com a Informe Comunicação, que atua nacionalmente na gestão da imagem do governador.
Aí vem outras perguntas: qual o critério dos gastos com propaganda? Quanto foi passado, exatamente, para as poderosas Mirante e Difusora? Existe uma absoluta transparência nessa relação que envolve muita grana e muitos interesses? Alguém ouviu a sociedade, a dona do dinheiro? Houve participação social? Foi feita uma única conferência estadual de comunicação? Foi lançado algum edital público, verdadeiramente inclusivo, que saia da lógica das agências? Foi dado algum passo em direção a uma “nova institucionalidade”? Houve um fortalecimento das “frações de poder”? Um desaparelhamento por parte do governo? Ou o padrão adotado por Flávio Dino, na comunicação, tem sido tradicional e atrasado? Um padrão inclusive autoritário?
Um aspecto de “modernidade” evidenciado na comunicação do atual governo maranhense é o uso sistemático (de certo modo ansioso, precipitado, sôfrego) das redes sociais, onde a argumentação política, em vários casos, foi substituída pela violência ou tentativa de desqualificação contra quem denuncia, critica ou pensa diferente do governo.
O artigo do governador, publicado no início deste ano, onde ele fala de uma “elite que sugou os recursos do estado”, através de “impérios de mídia” e “falcatruas”, montando “fortunas pessoais inimagináveis” é, nesse ponto específico, radicalmente verdadeiro. E antes desse artigo, ainda em 2014, o mesmo Flávio Dino já falava sobre o “direito humano à comunicação”, dizendo que para “romper com a oligarquia” era preciso “apoiar outras redes de comunicação”. Passaram-se mais de dois anos… Não faz sentido, então, o governo maranhense continuar financiando (com o dinheiro de um povo pobre!) uma elite que o próprio governador ainda crítica, denuncia e criminaliza. Ou faz sentido?
A audiência da Globo ou do SBT logo aparecerão como argumento dos interessados nesse tipo de negócio. Essa audiência justificaria a montanha de dinheiro público repassada para a Mirante (Sarney) e Difusora (Lobão/Weverton). Esse argumento, conservador, equivocado e/ou interesseiro, foi chamado de “poder ‘naturalizado’ da grande mídia”, denunciado pelo jornalista Altamiro Borges, no livro “A ditadura da mídia”, lançado em 2009, onde ele fala que num processo de democratização da sociedade brasileira é necessário um “reforço dos veículos alternativos”. O livro de Altamiro (atual secretário nacional de mídia do Comitê Central do PC do B) foi feito sob o clima da I Conferência Nacional de Comunicação, organizada pelo segundo governo Lula.
No que se refere a uma comunicação alternativa, idealizada para ser democrática e popular, temos hoje, no Maranhão, uma insatisfação do movimento estadual de rádios comunitárias. Afinal, existe alguma ação concreta, efetiva, no sentido de fortalecer essas rádios? Não estamos falando aqui de aparelhamento governista ou partidário. A pergunta é quanto a ações que possam garantir a autonomia das que são realmente comunitárias. Está sendo criado algum novo espaço público, verdadeiramente popular e anti-oligárquico? Ou tudo que temos é a tosca orquestração chapa branca? Foi fracionado o poder em favor do cidadão?
Alguns blogs locais também tem propagandas do governo Flávio Dino. Novamente vem a pergunta: qual o critério para a contratação desses espaços? O que se percebe é o alinhamento político evidente entre esses blogs e o atual governo. Esse é o critério? É fazer parte de um projeto de poder de um grupo político específico? Não superamos o antigo tripé Governo/VCR/AB Propaganda/Mirante?
Numa comparação com um passado recente, alguns podem argumentar que Flávio Dino não é dono de rádio, jornal ou TV. É verdade, mas a questão aqui é a relação do governo que ele comanda (e que prometeu mudanças) com todo um status quo e uma cultura política que ele sugere ao mundo que estaria enfrentando. Qual foi a mudança substantiva do modus operandi? No que se refere à mudança prometida por Flávio Dino, qual o sinal de criatividade ou inovação na área de comunicação? De uma efetiva democratização?
A antiga Rádio Timbira, por exemplo, de propriedade do Estado, foi sucateada pelos governos Roseana. O atual governo reativou essa emissora, que começou a se reerguer sob o comando do jornalista Ribamar Prazeres, profissional com reconhecida capacidade intelectual. De repente, agora, no início de março, o governo resolve mudar o diretor da rádio. Qual motivo? O afastamento de Prazeres coincidiu com a chegada de um novo secretário adjunto de comunicação (que “obrigou” um novo arranjo interno) e com uma parceria esdrúxula, bancada pelo comando do governo, feita entre a Rádio Timbira e a Rádio Difusora FM. Por que a Difusora? Qual a justificativa? É o poder de Weverton Rocha junto ao governo Flávio Dino? Então nós temos, realmente, um novo “imperador de mídias” no Maranhão? É isso governador? Ou a antiga Difusora de Lobão agora é paraestatal?
No último dia 22 de março, em meio ao enorme falatório em torno da ida do grupo de blogueiros maranhenses a Policia Federal, o jornalista Ed Wilson Araújo, professor do curso de Comunicação da Universidade Federal do Maranhão, perguntou, em seu blog, se “o Ministério Público e a Polícia Federal podem se interessar por esse fenômeno: de onde sai o dinheiro que paga o arrendamento do Sistema Difusora de Comunicação?”. O professor/comunicador lembra também que “emissoras de rádio e TV são concessões públicas e não podem ser arrendadas”. A provocação é válida, até para cobrar o serviço de quem deve fiscalizar e investigar.
No meio de tudo isso, a questão central é a necessidade de um debate sobre a comunicação, um tema tão importante num estado conhecido por sua brutal dominação oligárquica. São coisas que precisam ser debatidas de modo republicano, para usar uma expressão que o atual governador utilizou muito na campanha e no seu discurso de posse. Existem aí pontos fundamentais para que haja algum tipo de avanço. São eles:
(1) É importante fazer uma avaliação honesta, desapaixonada, independente e sem demagogia sobre as promessas de campanha de Flávio Dino para o setor de comunicação;
(2) A evidente necessidade de democratização da comunicação no Maranhão passa pela discussão do orçamento do estado para o setor. Passa por abrir essa velha “caixa preta”, que possibilitou a existência dos impérios de mídia;
(3) Existe a necessidade de transparência absoluta dos eternos gastos milionários do Estado com a propaganda. Aí entra a relação entre as agências e os veículos, sendo fundamental saber quem paga quem e quem recebe de quem. Quanto cada um paga (as agências) e quanto cada um recebe (os veículos). É preciso saber se, como nos velhos tempos, ainda tem agência no Maranhão atuando a serviço de um veículo específico, como lobista, testa de ferro ou sócio informal;
(4) É preciso um debate sobre quais os critérios para a escolha de todos os veículos onde são veiculadas as propagandas do governo, isto é, onde é investido o dinheiro público, o dinheiro do cidadão. Isso inclui rádio, jornal, TV, busdoor, todos os espaços na internet. Nesse ponto a transparência tem que ser total! Tem que ter uma lista mensal com todos os veículos que recebem e quanto eles recebem.
(5) É importante dar consequência política à afirmação do atual governador relativa a repudiar “falcatruas”, promovidas por “uma elite” que “sugou os recursos do estado”, construindo “impérios de mídia” e “fortunas inimagináveis”.
Quem se habilita a debater essas questões? Quais os setores da sociedade civil? Quais os setores da mídia? Quem tem autonomia? O Ministério Público, como sugeriu Ed Wilson? Alguém na Assembleia Legislativa teria independência para isso? Ou esse vai ser mais um assunto fantasma? O deputado estadual Eduardo Braide, por exemplo, na eleição municipal, falou dos gastos excessivos de Holanda Junior com propaganda. E os gastos do governo estadual? Qual o ganho da sociedade com esse investimento midiático? Hoje, o nível do “debate” é muito baixo. Este ano, o senador Roberto Rocha (eleito pelas mãos de Flávio Dino) disse, nas redes sociais, que o atual governador tem “financiado o comunismo internacional”. É pacóvia pura! Sobre os ganhos de Fernando Sarney e os negócios entre Edinho Lobão e Weverton, “o senador da mudança”, outro que é dono de empresas de rádio e TV, não dá um pio. A verdade é que um senador oligárquico não tem autoridade para debater comunicação pública.
E finalizando essa nossa conversa, caro leitor, lembramos que no final de 2016, o professor e cientista político Flávio Reis fez um longo e bem alinhavado texto, analisando a atual conjuntura do Maranhão, a partir de artigos e entrevistas do historiador Wagner Cabral da Costa (leia no www.viasdefato.jor.br). Nesse texto, Flavio Reis diz que “a promessa de ´republicanizar` o estado parece não ter passado do discurso de posse do governador”. O cientista político cita um artigo de Wagner de 2009, onde o historiador trata da “bomba suja” na política maranhense. A expressão “bomba suja”, utilizada por Wagner há oito anos, é uma metáfora interessante, pois remete à contaminação (sujeira) de um ambiente político. O historiador argumenta que “a bomba suja sempre esteve presente enquanto dado estrutural” no Maranhão. A milionária mídia local tornou-se instrumento fundamental para a detonação dessa bomba.
Mexer na comunicação maranhense e sua relação umbilical com as verbas públicas, é mexer na estrutura oligárquica, como foi dito por Flávio Dino, em 2014, no Observatório da Imprensa. A questão é saber: Quem quer abrir mão da sujeira? Quem quer, verdadeiramente, romper com uma estrutura? Quem quer, sem demagogia, a mudança de uma cultura política? Qual o governo que quer, de fato, empoderar a sociedade? Qual governo quer fortalecê-la diante de conflitos permanentes com uma elite que se cria a partir de sua capacidade de parasitar o Estado?
Editorial da 66º edição do Jornal Vias de Fato (maio/2017).

Sociedade Civil se solidariza com Povo Gamela, denuncia governos e exige demarcação

Confira a Nota assinada por diversas entidades do Brasil em solidariedade ao Povo Gamela, denunciando ruralistas e governos que compactuam com os ataques que há tempos os indígenas vêm sofrendo

NOTA DE ENTIDADES, PASTORAIS, MOVIMENTOS SOCIAIS E LIDERANÇAS DA SOCIEDADE CIVIL EM APOIO AO POVO GAMELA

Nós, entidades, pastorais, movimentos sociais, articulações e lideranças da sociedade civil, apoiadores do povo indígena Akroá Gamela, manifestamos nossa indignação e repúdio ao golpe violento contra sua autonomia desferido na tarde do dia 30 de abril de 2017, durante mais uma retomada de seu território tradicional. Comandado por fazendeiros, um deputado federal e religiosos fascistas, um grupo armado, que incluía jagunços, desferiu golpes com armas de fogo, armas brancas, paus e pedras, contra os indígenas, produzindo feridos em estado grave, cinco deles baleados.
Enfatizamos a necessidade de regularização urgente e imediata do território Gamela, como forma sanar o conflito e garantir o Bem Viver.  O Estado, por meio da Fundação Nacional do Índio (Funai) é responsável por todo esse processo regularização, mas por conta da configuração política atual – de predomínio dos ruralistas, anti indígenas convictos – seu trabalho técnico vem sendo negligenciado pelo governo e a instituição enfraquecida.
Repudiamos todas as tentativas de criminalização dos Akroá Gamela e do legitimo movimento que eles tem feito pela retomada de uma terra que é deles.  Repudiamos todos aqueles que falam em “supostos indígenas” e “suposto território indígena”, tanto por parte do governo federal quanto do governo do Estado do Maranhão. Para nós este tipo de colocação reacionária, que nega a identidade indígena, transita entre a ignorância e a má fé. São afirmações de quem não compreende a luta histórica desses povos. Os Gamela são os primeiros indígenas brasileiros a receberem da coroa portuguesa uma sesmaria, no século XVIII, em 1784.
Reafirmamos que no dia 30 de abril de 2017, no município de Viana, não houve confronto entre indígenas e pessoas ligadas aos fazendeiros. O que houve foi um massacre contra os Gamelas, com tentativas de execução e linchamento, numa ação que é parte de um processo genocida.
Queremos ainda dar visibilidade à denúncia em que é dito que o aparato de segurança estadual – a maioria da Polícia Civil e Militar na região de Viana e nos municípios vizinhos – funciona de maneira inaceitável, em favor dos fazendeiros e contra os indígenas. Essa é uma situação que precisa ser resolvida urgentemente pelo governo do Estado, pois é público e notório que hoje existem lideranças Gamelas marcadas para morrer.
A luta do povo Akroá Gamela é legítima, frente aos séculos de espoliação e violência. Diante do descaso e/ou parcialidade do Estado Democrático de Direito, consideramos absolutamente legitimo que os indígenas não esperem mais pelo caminho institucional, tomando a rédea do processo de retomada da terra.
Assim, responsabilizamos o Estado brasileiro por essa ação violenta sofrida pelo povo Gamela, fruto da morosidade e omissão na regularização, além da insegurança que predomina na região. Reafirmamos nosso apoio incondicional ao povo Akroá Gamela, nos solidarizando com sua dor, expressando aqui nossa sede e fome de justiça contra a violência desmedida aos povos originários.

“Todo arame e porteira merecem corte e fogueira são frutos da maldição.”

1. Conselho Indigenista Missionário do Maranhão

2. Cáritas Brasileira Regional Maranhão

3. Grupo de Estudos Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente GEDMMA/UFMA

4. Pastoral da Criança do Maranhão

5. Associação de Proteção ao Meio Ambiente – APROMAC, Paraná

6. TOXISPHERA – Associação de Saúde Ambiental, Paraná

7. Fórum dos Atingidos pela Indústria do Petróleo e Petroquímica nas Cercanias da Baía de Guanabara – FAPP-BG

8. Central Sindical e Popular CSP CONLUTAS

9. Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior- ANDES-SN

10. Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal e MPU no Maranhão Sintrajufe/MA

11. Associação dos Professores da UFMA- APRUMA

12. Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica – Sinasefe (Seção Monte Castelo)

13. Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica – Sinasefe (Seção Maracanã)

14. Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado- PSTU

15. Quilombo Raça e Classe

16. Sindicato dos Bancários do Maranhão- SEEB/MA

17. Movimento Quilombola do Maranhão- MOQUIBOM

18. Comunidades Eclesiais de Base do Maranhão (Coordenação Estadual)

19. Tania Pacheco – Blog Combate Racismo Ambiental

20. Daniela Félix – Advogada, membro do Grupo de Pesquisa e Estudos em Direito, Gênero e Feminismos/ Santa Catarina

21. Ana Maria Marques – Advogada, Mestra em Políticas Públicas e Coordenadora do Curso de Direito do Instituto Florence de Ensino Superior

22. Martha Bispo – Diretora Nacional do CEBI

23. Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos – MA

24. CNBB – Regional Nordeste 5

25. Sindicato dos Servidores da Assembléia Legislativa do Maranhão – SINDSALEM

26. Comissão Pastoral da Terra/MA

27. Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão

28. Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares do Maranhão

29. Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares

30. Frente Maranhão de Juristas pela Democracia

31. Núcleo de Estudos sobre Reforma Agrária – NERA/UFMA

32. Movimento de Defesa da Ilha

33. Associação Nacional Indigenista – ANAÍ

34. Núcleo de Extensão e Pesquisa com Populações e Comunidades Rurais, Negras Quilombolas e Indígenas – NURUNI/UFMA

35. Jornal Vias de Fato – Jornalismo a Serviço da Causa Popular

36. Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC

37. Associação Agroecológica Tijupá

38. Sociedade Maranhense dos Direitos Humanos – SMDH

39. Centro de Estudos e Pesquisa Ruy Mauro Marini, DF

40. Fórum Carajás

41. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST/MA

42. Sinpaf Solos Rio

43. Igor Thiago Silva de Sousa – Antropólogo e Mestre em Antropologia Social

44.  Laboratório e Grupo de Estudos em Relações Interétnicas – LAGERI, Departamento de Antropologia, UNB

45.  Instituto Autonomia, DF

46. Terra de Direitos

47. Iterei Iguassu CR MCPA Florestas e Montanhas

48. Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental – PROAM

49. Coletivo de Entidades Ambientalistas de São Paulo

50. Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE

51. Centro de Documentação Indígena dos Missionários da Consolata, Boa Vista – RR

52. Cosmopolíticas – Núcleo de Antropologia da Universidade Federal Fluminense

53. Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu- MIQCB

54. Central dos Movimentos Populares – CMP

55. União por Moradia Popular – UMP/MA

56. Comissão Justiça e Paz do Maranhão – CBPJ

57. Cecília Amin Castro – Secretaria Executiva da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Luis

58. Irmãs de Notre Dame de Namur, São Luis

59. Linhas do Horizonte – Bordadeiras por Justiça, MG

60. João Alfredo Telles Melo – Professor de Direito Ambiental e Mestre em Direito pela UFC

61. Movimento de Saúde dos Povos do Maranhão

62. Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, SP

63. Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva – CEDEFES

04 de Maio de 2017

Veja também:

Vias de Fato: Indígenas baleados! No Maranhão das barbáries!

APIB: Nota Pública da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil contra a militarização da Funai e os golpes do Governo Temer contra os direitos indígenas

El País:A luta por terras e pelo resgate da memória dos gamela, apagada desde o Brasil colônia

El País:“Esse massacre recente é só uma faceta do etnocídio que assola o povo gamela”

ISA: Governo quebra Funai e abandona índios

UOL: Luta de meio século contra grilagem explica violência na disputa por terras no MA