O artista marginal e o embuste do edital

Por Marivânia Moura*

“Eu acho que o governo do Estado não vá me chamar para tocar num evento seu. Eu acho que o governo do Estado tem seu time. Eu não estou nesse time. É uma situação hipotética inimaginável. Eu sou um marginal”.

Em entrevista ao Jornal Vias de Fato, em agosto de 2013, o cantor e compositor Marcos Magah falou ao jornalista Zema Ribeiro e ao antropólogo Igor de Sousa, da possibilidade de participar das festividades do calendário oficial. No governo estadual da época, estava encerrando seu quarto mandato a herdeira do legado de José Sarney, sua filha Roseana Sarney.

Aquela época todos (ou a maioria de nós), estávamos ansiosos com a possibilidade de mudar as práticas políticas no Maranhão com o processo eleitoral de 2014. Nossa expectativa passava, necessariamente, pela derrota do então grupo oligárquico capitaneado por José Sarney. Em 2013 eu estava concluindo o mestrado em história social na UFMA, onde discutia a cultura política em São Luís.

Na ocasião dizíamos que a presença de José Sarney (e seu grupo/máfia) era uma parte do problema político em nosso Estado. O problema maior é a cultura política oligárquica predominante no nosso imaginário social. Uma cultura política do privilégio, do medo, baseada nas relações pessoais, na confusão entre o público e o privado, no autoritarismo.

Infelizmente uma cultura política não se muda de uma hora para outra. No processo histórico as mudanças do imaginário social, as mentalidades, como as chamamos, são como placas tectônicas, se transformam muito lentamente. Diferente das mudanças sociais e políticas, que operam no curto e médio prazo. Sendo assim, é preciso encarar com coragem e seriedade as permanências da cultura política oligárquica no governo Flávio Dino, sem receio de ser acusado de sarneysista.

Quando em 2015 o compositor Marcos Magah foi convidado pela Secretaria de Cultura do Estado, na gestão da professora Ester Marques (Governo Dino), muitos perguntaram “e aí Magah, qual teu contato (tem peixe) dentro da secretaria?”. Quem fazia tal pergunta eram músicos, artistas da cena local.

Magah é um sujeito totalmente desprovido de jeito para os contatos sociais. Se tem alguma habilidade, é para transformar tragédia em poesia. Se tivesse algum traquejo nos contatos sociais já teria gravado seu álbum O HOMEM QUE VIROU CIRCO, aprovado pela lei de incentivo estadual (2013), mas que não conseguiu fazer a captação porque não tem os contatos “importantes”.

Magah não vota, não acredita no Estado, na forma como as coisas estão estruturadas politicamente. Não acredita, portanto, nos editais de credenciamento do atual governo. Mas eu achei interessante a publicação dos editais (como sou ingênua!), fiz questão de inscrever o trabalho de Magah nos editais de ocupação artística. Escolhi o edital de ocupação do espigão costeiro (Nº 7/2017), publicado em 24 de maio de 2017, para ser cumprido no segundo semestre. A exigência da documentação era de desestimular qualquer cristão: certidão negativa de débitos fiscais, tributários, previdenciários, trabalhista, etc. Enquanto organizava a papelada, Magah, usando de seu característico humor sarcástico, me perguntou: “ainda não te pediram a foto da Vera Fischer autografada?”.

Marcos Magah 03
O cantor e compositor Marcos Magah. Foto: Divulgação

O resultado dos grupos aprovados na categoria banda/show foi publicado em 8 de julho de 2017 e assinado pela senhora Vanessa Barbosa Leite, secretária adjunta de Estado da Cultura e Turismo e também Presidente da Comissão de Credenciamento.

Ao se aproximar do fim do segundo semestre entrei em contato algumas vezes (via aplicativo de celular) com um funcionário da Sectur para saber do edital, uma vez que precisava ter uma data do show, o mesmo dizia não saber de nada, que eu procurasse a senhora Vanessa Leite. Qual não foi nossa surpresa quando a própria secretária adjunta entra em contato com Magah via facebook (dia 7 de dezembro) dizendo que o artista havia cancelado o show.

Como assim?!!!

Sem argumentos para uma explicação razoável, a secretária adjunta disparou: “Marcos, você já esteve em programação. Então agora devera esperar nova oportunidade”

Ela deveria estar se referindo à participação do artista na programação oficial  em outubro de 2015, daí pensei: é a lógica das relações clientelistas onde a gratidão eterna é o valor esperado de quem é beneficiado. NÃO, NÓS NOS NEGAMOS A ESSA SUBMISSÃO!

Se o artista foi convidado a prestar serviço à Secretaria de Cultura, deve ter sido por algum mérito e não por amizades ou qualquer tipo de colegagem, uma vez que o mesmo vinha de uma intensa agenda de shows desde 2013.

A ARTE NÃO SE RENDE!

Magah segue sendo um artista marginal, um homem lúcido e perigoso pensando por conta própria, assumindo o peso de suas escolhas. Talvez lhe falte uma LAMPARINA, uma luz que ilumine seu caminho nas trilhas do espinhoso caminho dos editais. Enquanto a Secretaria de Cultura continua a publicar editais de faz de conta, embustes pra disfarçar as permanências das práticas oligárquicas na atual gestão cultural.

*Marivânia Moura é Mestre em história social e professora da escola pública.                 

            

Exposição discute danos causados ao longo da estrada de ferro Carajás.

A exposição “Do Rio que Era Doce ao Outro Lado dos Trilhos: Os Danos Irreversíveis da Mineração” chega a São Luís a partir de hoje dia 29/08 até 04/09 no Centro de Criatividade Odylo Costa Filho, com o objetivo de debater e mostrar os impactos da mineração ao longo da estrada de ferro Carajás para a sociedade.

A mostra nasceu meses após o rompimento da barragem de Fundão, que, em novembro de 2015, deixou a região de Mariana (MG) coberta por rejeitos tóxicos. O rastro de lama chegou até o oceano Atlântico e, com ele, cresceu também a necessidade de se discutir as ameaças socioambientais representadas pela mineração. A contaminação da água e do solo, o inchaço e a sobrecarga das capacidades dos municípios que abrigam barragens e os problemas de saúde de sua população são só alguns deles.

A exposição já percorreu algumas cidades do país como Belém (PA), Açailândia (MA) e São Paulo que foi a primeira cidade a abrigar a exposição, organizada pelo Comitê Nacional em Defesa dos Territórios frente à Mineração. Agora, com a participação da rede Justiça nos Trilhos, o debate ganha força e amplitude, associando o desastre em Mariana aos efeitos da mineração na Amazônia: mais de 2 mil quilômetros separam as duas regiões, mas os impactos são os mesmos. De Parauapebas (PA), onde o minério é extraído, até São Luís do Maranhão, de onde é escoado para o mercado internacional, a população dos 27 municípios cortados pela estrada de ferro Carajás padece com resíduos tóxicos da poeira de minério e com a própria passagem do trem, que leva à deterioração do ambiente onde vivem e é causa de ferimento e morte por atropelamento.

Juntando o rio e os trilhos, os estragos em Minas Gerais e na Amazônia, a exposição Do Rio que Era Doce ao Outro Lado dos Trilhos: Os Danos Irreversíveis da Mineração conta com fotos da região de Mariana, da estrada de ferro e de Piquiá de Baixo (MA) (uma das cidades mais impactadas pela mineração na região, espécie de “Mariana da Amazônia”), além de instalações sensoriais, exibição de filmes, aulas públicas, rodas de conversa e palestras sobre o modelo mineral, sobre Mariana e Carajás.

Merecem destaque o mural “O Rio que Era Doce”, de 14 x 3 metros, da artista Leila Monségur, e as maquetes que, com movimentos, reproduzem o complexo de Mariana antes do rompimento da barragem e logo após o desastre, com lama se espalhando – bastante didáticas, as maquetes ajudam o público a entender como funciona a mineração e a gravidade de seus impactos, especialmente em termos de contaminação da água.

A exposição foi concebida pelo Comitê Nacional em Defesa de Territórios frente à Mineração e em parceria com a Justiça nos trilhos chega à capital maranhense e durante os dias 29/08 a 04/09 no Centro de Criatividade Odylo Costa Filho, Rua da Feira Praia Grande, 162 – centro.

Sobre o Comitê Nacional em Defesa dos Territórios frente à Mineração:

Articulação de organizações, movimentos sociais, igrejas e pesquisadores, em atividade desde 2013. É uma das principais iniciativas nacionais que se organiza politicamente em defesa dos atingidos pela mineração e de seus territórios. Investe, também, em comunicação e formação sobre o tema.

Serviço

Data: 29/8 a 4/9

Horário: 10h – 20h

Local: Centro de Criatividade Odylo Costa Filho, Rua da Feira Praia Grande, 162 – Centro.

Programação

29 de agosto
Horário: 14h – Abertura da Exposição – será realizada uma breve explanação sobre a
proposta da Exposição “Do rio que era doce ao outro lado dos trilhos: os danos
irreversíveis da mineração”. Convidados: Lanna Luiza Silva – Jornalista e Produtora
da Exposição e Lidiane Ferraz – Jornalista na Rede Justiça nos Trilhos

30 de agosto
Horário: 18h -Exibição de documentário “Trilhos da Vida”, debate após o filme.
Mediação: Mikael Carvalho – Jornalista na Rede Justiça nos Trilhos;

31 de agosto
Horário:16h – Roda de Conversa: De Mariana ao Corredor Carajás: quem são os
atingidos pela mineração?
Convidados: Moradores do Taim, Santa Rosa e Cajueiro;
Seu Davi – Cajueiro
Francivânia – Taim
Anacleta – Santa Rosa
Irmã Anne – Teia de povos
Mediador: Horácio Antunes – Professor do Departamento de Sociologia e
Antropologia e dos Programas de Pós-Graduação em Ciências Sociais e Políticas
Públicas. Coordenador do Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio
Ambiente – GEDMMA. Bolsista de Produtividade do CNPq.

1º de setembro
Horário: 16h – Aula Pública – O que o desastre de Mariana pode ensinar às comunidades impactadas pela mineração no Maranhão e Pará?

Convidado: Dom José Belizário da Silva – Arcebispo metropolitano de São Luís do
Maranhão, Vice-presidente do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam) e
Presidente do Regional Nordeste V.

2 de setembro
Horário: 16h – Roda de conversa com moradores de Igarapé do Meio, Santa Rita, Arari
e Santa Inês e Apresentação da Revista Não Vale
Apresentação: Lidiane Ferraz – Jornalista na Rede Justiça nos Trilhos
Convidados:
Antônio Vila Diamante (Igarapé do Meio)
Mateus – Santa Rita
Bruno Fernandes – Arari
Cacique Guajajara – Terra Indígena Pindaré e apresentação

3 de setembro
Horário: 18h- Exibição dos documentários “Minerando Conflitos” e “Igrejas e
Mineração sobre Mineração” e debate após o filme.
Mediação: Lanna Luiza Silva – Jornalista / Produtora na Exposição

4 de setembro
Horário: 16h – Aula Pública – Qual o modelo mineral que queremos para o país?
Convidado: Guilherme Zagallo, advogado, ex-relator nacional da plataforma
DHESCA para o direito humano ao meio ambiente. Integrou o Conselho Federal da
OAB e o Conselho da Cidade de São Luís.

Cantor Heriverto Nunes apresenta “Bethania até sangrar” nesta quinta no Recanto Vinhais

O Boteco Samba, Cerveja e Futebol (avenida Antares, 812, Recanto dos Vinhais) abre hoje a partir das 20h para receber o show do cantor Heriverto Nunes em homenagem a Maria Bethânia.

Com o título “Bethania até sangrar”, a apresentação traz sucessos que ficaram consagrados na voz de uma das mais longevas intérpretes da MPB – para Heriverto, a “maior intérprete”.

Situado na área central do bairro Recanto dos Vinhais, o Boteco Samba, Cerveja e Futebol tem representado uma boa opção cultural, já tendo trazido, em outras quintas-feiras, apresentações que marcaram o circuito musical de São Luís, como o espetáculo 1, 2, 3, com as cantoras Milla Camões, Tássia Campos e Camila Boueri, e tributos a nomes como Belchior, Djavan e Chico Buarque.

Trainspotting, obra-prima do diretor Danny Boyle, exibida juntamente com sua continuação no Cine Praia Grande; Lume e Cinepolis exibem filmes do Festival Varilux

No próximo final de semana o Cine Praia Grande exibe o filme Trainspotting, de 1996, dirigido por Danny Boyle e estrelado por Ewan McGregor e Robert Carlyle, que narra a vida de um grupo de jovens viciados em heroína na Escócia dos anos 1990.

Mais que um filme sobre drogas, o longa é um recorte da falta de perspectivas na década hegemônica do neoliberalismo, além de mostrar aspectos culturais como pano de fundo daqueles anos.

Além de exibir o longa original, o Praia Grande trará sua aguardada continuação. Para tanto, os filmes serão exibidos na sequência, e os ingressos poderão ser adquiridos ao valor de R$ 20,00 para ver o primeiro e o segundo filme, em sessões seguidas, com início ás 16h, tanto no sábado dia 10 de junho como no domingo posterior. Estudantes e demais beneficiados têm direito à meia entrada.

O Cine Praia Grande fica no Centro de Critiatividade Odylo Costa, filho, no bairro da Praia Grande, em São Luís.

Festival Varilux

Já o Cine Lume (Edifício Office Tower, no Renascença) e o Cinepolis (São Luís Shopping) trazem a mostra do Festival Varilux de Cinema Francês a partir desta quinta-feira, 8, exibindo 19 longas com elenco com nomes como Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Juliette Binoche, Marion Cotillard, Guillaume Canet e Omar Sy. Além da sala ludovicense, cinemas em mais 54 cidades recebem o festival, que traz, além dos filmes, palestras, mesas redondas e sessões educativas.

Nesta quinta, o festival começa a partir das 14h com o filme Amanhã, no Cine Lume, seguido de “A viagem de Fanny” (16h), “Perdidos em Paris” (17h45), “Na cama com Victoria” (19h20) e “Coração e Alma” (22h50).

O Cinepolis também entra na mostra nesta quinta-feira (8), com os filmes “Um instantes de amor” (19h) e “O reencontro” (21h30).

O festival Variluz segue até o próximo dia 21, com sessões diárias nos dois locais de exibição. Para ver a programação completa, basta acessar o site da mostra, que pode ser visto clicando aqui.

 

Cultura: shows, teatro e cinema – confira dicas de programação

Grupo Afrôs apresenta: show Carne Crua

Dia 12 de maio, sexta-feira, 21h, no bar Odeon Sabor e Arte (Praia Grande, próximo ao Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho). O evento conta ainda com apresentações do Coletivo Gororoba, Jam Session e Dis’cotecabregagi. Entrada R$ 20,00, com meia para estudantes (meia-entrada sendo vendida na loja Cadê Beltrano: as vendas de meia-entrada seguem até sexta-feira, dia do show, às 12h. Para estudantes, artistas, professores e idosos. A Cadê Beltrano fica na rua do Alecrim, n.337, Centro – próxima ao Palácio dos Esportes, ao lado da Cáritas).

Antes do show das Afrôs, a Banda Desdemona Etc apresenta-se no Cine Praia Grande (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, também na Praia Grande), às 19h, para lançamento do videoclipe Homens ao Mar:

 

TEATRO

O Coletivo Teatro do Redentor apresenta: “Para Uma Avenca Partindo”, espetáculo teatral com textos de Caio Fernando Abreu.
Dias 26 e 27 de maio, às 20h, no Teatro Alcione Nazaré. Ingresso: R$ 20,00, também com meia para estudante.

CINEMA

Cine Praia grande: promoção aos domingos (R$ 12,00 e meia R$ 6,00)

Cine Lume (Officce Tower, no bairro Renascença): promoção às quartas-feiras (R$ 12,00 todos os ingressos). Nesta quinta-feira, 11, estreia “A Jovem Rainha”

Festival Guarnicê:

De um total de quase 400 filmes inscritos, 37 filmes, entre curtas e longas-metragens, foram selecionados para competirem no 40º Festival Guarnicê de Cinema que acontece de 02 a 10 de junho de 2017, no Centro histórico de São Luís do Maranhão. Coordenada por Eduardo Valente, a curadoria formada por Rafaelle Petrini, Stela Aranha e Daniel Queiroz selecionou seis longas e 18 curtas nacionais e 13 produções maranhenses. Nos próximos dias a Universidade Federal do Maranhão, por meio do Departamento de Assuntos Culturais/Proexce, instituição promotora do festival, divulgará as produções selecionadas pela curadoria para serem exibidas em mostras não competitivas. Confira os selecionados no site http://www.cultura.ufma.br/40guarnice/

Veja também:

Exposição em homenagem à Casa das Minas no Odylo

Exposição em homenagem à Casa das Minas no Odylo

Exposição “QUEREBENTÃ DE ZOMADONU”
Uma homenagem à Casa das Minas

Em homenagem à Casa das Minas, o Centro de Criatividade Odylo Costa, filho realizará, no período de 08 a 19 de maio, a exposição “QUEREBENTÃ DE ZOMADÔNU”.
A referida exposição faz parte da programação das festividades em honra ao Divino Espírito Santo, comemorados pela Casa das Minas há 154 anos.
Localizada à Rua de São Pantaleão, 857, a Casa das Minas tem sua fundação antes da metade do século XIX. Desde então, vem se mantendo viva e significativamente importante em relação à manutenção do culto à religiosidade de origem africana no Maranhão.
A importância desse templo afro-religioso, que serviu de modelo para quase todos os terreiros de mina do maranhão, foi reconhecido pelo ato de tombamento realizado através do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.
Constitui-se, pois, “A Casa das Minas”, em um grande patrimônio histórico-cultural que merece ações de preservação e todas as homenagens.

PROGRAMAÇÃO DA EXPOSIÇÃO

ABERTURA
Dia: 08 de maio.
Programação de Abertura
17:00 – Chegada do Cortejo do Império da Casa das Minas
17:30 – Abertura da Exposição
18:00 – Salva de Caixas

ATIVIDADES
Visitação à Exposição
• 09 a 19 de maio (exceto dia 14/05)
• Horário – 09 às 18 horas
Oficina de Confecção de lembranças do Divino (Galeria Valdelino Cécio)
• 15 a 19 de maio
• Horário – 14 às 17 horas
Projeção de Vídeos e documentários (Sala Multimídia).
• 09 a 19 de maio
• Horário – 17 horas
Roda de Conversa (Sala de Multimídia)
• 15 e 17 de maio
• Horário – 15 às 17 horas
Oficina de Toque de Caixa (Sala 13)
• 09,11,16 e 18 de maio
• Horário – 15 às 17 horas
Roda de Leitura para o público infantil (Biblioteca Ferreira Gullar)
• 10, 16 e 18 de maio
• Horário: 15 as 17 hs

ENCERRAMENTO
Dia 19 de maio
Horário – a partir de 16 horas
Banda da Polícia Militar do Estado do Maranhão
Chegada do Império/ Tribuna
Fechamento da Tribuna
Coquetel de encerramento e Carimbó das Caixeiras.
Tambor de Crioula

Sociedade Civil se solidariza com Povo Gamela, denuncia governos e exige demarcação

Confira a Nota assinada por diversas entidades do Brasil em solidariedade ao Povo Gamela, denunciando ruralistas e governos que compactuam com os ataques que há tempos os indígenas vêm sofrendo

NOTA DE ENTIDADES, PASTORAIS, MOVIMENTOS SOCIAIS E LIDERANÇAS DA SOCIEDADE CIVIL EM APOIO AO POVO GAMELA

Nós, entidades, pastorais, movimentos sociais, articulações e lideranças da sociedade civil, apoiadores do povo indígena Akroá Gamela, manifestamos nossa indignação e repúdio ao golpe violento contra sua autonomia desferido na tarde do dia 30 de abril de 2017, durante mais uma retomada de seu território tradicional. Comandado por fazendeiros, um deputado federal e religiosos fascistas, um grupo armado, que incluía jagunços, desferiu golpes com armas de fogo, armas brancas, paus e pedras, contra os indígenas, produzindo feridos em estado grave, cinco deles baleados.
Enfatizamos a necessidade de regularização urgente e imediata do território Gamela, como forma sanar o conflito e garantir o Bem Viver.  O Estado, por meio da Fundação Nacional do Índio (Funai) é responsável por todo esse processo regularização, mas por conta da configuração política atual – de predomínio dos ruralistas, anti indígenas convictos – seu trabalho técnico vem sendo negligenciado pelo governo e a instituição enfraquecida.
Repudiamos todas as tentativas de criminalização dos Akroá Gamela e do legitimo movimento que eles tem feito pela retomada de uma terra que é deles.  Repudiamos todos aqueles que falam em “supostos indígenas” e “suposto território indígena”, tanto por parte do governo federal quanto do governo do Estado do Maranhão. Para nós este tipo de colocação reacionária, que nega a identidade indígena, transita entre a ignorância e a má fé. São afirmações de quem não compreende a luta histórica desses povos. Os Gamela são os primeiros indígenas brasileiros a receberem da coroa portuguesa uma sesmaria, no século XVIII, em 1784.
Reafirmamos que no dia 30 de abril de 2017, no município de Viana, não houve confronto entre indígenas e pessoas ligadas aos fazendeiros. O que houve foi um massacre contra os Gamelas, com tentativas de execução e linchamento, numa ação que é parte de um processo genocida.
Queremos ainda dar visibilidade à denúncia em que é dito que o aparato de segurança estadual – a maioria da Polícia Civil e Militar na região de Viana e nos municípios vizinhos – funciona de maneira inaceitável, em favor dos fazendeiros e contra os indígenas. Essa é uma situação que precisa ser resolvida urgentemente pelo governo do Estado, pois é público e notório que hoje existem lideranças Gamelas marcadas para morrer.
A luta do povo Akroá Gamela é legítima, frente aos séculos de espoliação e violência. Diante do descaso e/ou parcialidade do Estado Democrático de Direito, consideramos absolutamente legitimo que os indígenas não esperem mais pelo caminho institucional, tomando a rédea do processo de retomada da terra.
Assim, responsabilizamos o Estado brasileiro por essa ação violenta sofrida pelo povo Gamela, fruto da morosidade e omissão na regularização, além da insegurança que predomina na região. Reafirmamos nosso apoio incondicional ao povo Akroá Gamela, nos solidarizando com sua dor, expressando aqui nossa sede e fome de justiça contra a violência desmedida aos povos originários.

“Todo arame e porteira merecem corte e fogueira são frutos da maldição.”

1. Conselho Indigenista Missionário do Maranhão

2. Cáritas Brasileira Regional Maranhão

3. Grupo de Estudos Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente GEDMMA/UFMA

4. Pastoral da Criança do Maranhão

5. Associação de Proteção ao Meio Ambiente – APROMAC, Paraná

6. TOXISPHERA – Associação de Saúde Ambiental, Paraná

7. Fórum dos Atingidos pela Indústria do Petróleo e Petroquímica nas Cercanias da Baía de Guanabara – FAPP-BG

8. Central Sindical e Popular CSP CONLUTAS

9. Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior- ANDES-SN

10. Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal e MPU no Maranhão Sintrajufe/MA

11. Associação dos Professores da UFMA- APRUMA

12. Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica – Sinasefe (Seção Monte Castelo)

13. Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica – Sinasefe (Seção Maracanã)

14. Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado- PSTU

15. Quilombo Raça e Classe

16. Sindicato dos Bancários do Maranhão- SEEB/MA

17. Movimento Quilombola do Maranhão- MOQUIBOM

18. Comunidades Eclesiais de Base do Maranhão (Coordenação Estadual)

19. Tania Pacheco – Blog Combate Racismo Ambiental

20. Daniela Félix – Advogada, membro do Grupo de Pesquisa e Estudos em Direito, Gênero e Feminismos/ Santa Catarina

21. Ana Maria Marques – Advogada, Mestra em Políticas Públicas e Coordenadora do Curso de Direito do Instituto Florence de Ensino Superior

22. Martha Bispo – Diretora Nacional do CEBI

23. Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos – MA

24. CNBB – Regional Nordeste 5

25. Sindicato dos Servidores da Assembléia Legislativa do Maranhão – SINDSALEM

26. Comissão Pastoral da Terra/MA

27. Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão

28. Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares do Maranhão

29. Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares

30. Frente Maranhão de Juristas pela Democracia

31. Núcleo de Estudos sobre Reforma Agrária – NERA/UFMA

32. Movimento de Defesa da Ilha

33. Associação Nacional Indigenista – ANAÍ

34. Núcleo de Extensão e Pesquisa com Populações e Comunidades Rurais, Negras Quilombolas e Indígenas – NURUNI/UFMA

35. Jornal Vias de Fato – Jornalismo a Serviço da Causa Popular

36. Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC

37. Associação Agroecológica Tijupá

38. Sociedade Maranhense dos Direitos Humanos – SMDH

39. Centro de Estudos e Pesquisa Ruy Mauro Marini, DF

40. Fórum Carajás

41. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST/MA

42. Sinpaf Solos Rio

43. Igor Thiago Silva de Sousa – Antropólogo e Mestre em Antropologia Social

44.  Laboratório e Grupo de Estudos em Relações Interétnicas – LAGERI, Departamento de Antropologia, UNB

45.  Instituto Autonomia, DF

46. Terra de Direitos

47. Iterei Iguassu CR MCPA Florestas e Montanhas

48. Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental – PROAM

49. Coletivo de Entidades Ambientalistas de São Paulo

50. Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE

51. Centro de Documentação Indígena dos Missionários da Consolata, Boa Vista – RR

52. Cosmopolíticas – Núcleo de Antropologia da Universidade Federal Fluminense

53. Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu- MIQCB

54. Central dos Movimentos Populares – CMP

55. União por Moradia Popular – UMP/MA

56. Comissão Justiça e Paz do Maranhão – CBPJ

57. Cecília Amin Castro – Secretaria Executiva da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Luis

58. Irmãs de Notre Dame de Namur, São Luis

59. Linhas do Horizonte – Bordadeiras por Justiça, MG

60. João Alfredo Telles Melo – Professor de Direito Ambiental e Mestre em Direito pela UFC

61. Movimento de Saúde dos Povos do Maranhão

62. Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, SP

63. Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva – CEDEFES

04 de Maio de 2017

Veja também:

Vias de Fato: Indígenas baleados! No Maranhão das barbáries!

APIB: Nota Pública da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil contra a militarização da Funai e os golpes do Governo Temer contra os direitos indígenas

El País:A luta por terras e pelo resgate da memória dos gamela, apagada desde o Brasil colônia

El País:“Esse massacre recente é só uma faceta do etnocídio que assola o povo gamela”

ISA: Governo quebra Funai e abandona índios

UOL: Luta de meio século contra grilagem explica violência na disputa por terras no MA