Vias de Fato

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A Mídia, a Greve e os Trabalhadores

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Moisés Silva Espíndula*

No dia nove de outubro do ano passado, encerrou-se a greve dos bancários do Banco do Brasil e bancos privados. No dia seguinte, um conhecido jornal maranhense publicou sua opinião:
“Sempre que os bancários decidem entrar em greve, para ganhar a simpatia da população, põem na pauta de reivindicações melhorias para os serviços prestados pelos bancos, mais segurança para os clientes e funcionários etc., porém basta os banqueiros acenarem com um reajuste dos salários para o movimento se encerrar, e assim quem mais padece com a greve, a sociedade, continua sendo a única sem ter nenhum ganho com ela. (...).

Ao ler o texto, despertou-me uma profunda indignação. Aquela opinião não reflete a realidade. A nossa luta arrancou um acordo de contratação, apenas no Banco do Brasil, de dez mil novos bancários e cinco mil menores aprendizes no biênio 2010/2011. Além disso, o texto insinua que somos hipócritas - o que é uma mentira! – pois quando exigimos mais funcionários e mais segurança para todos não estamos pensando somente nos clientes, estamos reivindicando qualidade de vida para nós e toda sociedade. Afinal, quantas horas você fica na fila esperando um funcionário sobrecarregado para lhe atender?

A segurança é outro fator relevante. Até o dia 09 de outubro, quando a greve terminou, foram registrados vinte e quatro assaltos a banco no Maranhão. Isto significa bancários e clientes assustados, traumatizados, feridos ou mortos.

Quanto ao reajuste, a decepção é ainda maior. O índice dado pelos banqueiros foi um escandaloso golpe esquematizado pela Contraf-CUT – confederação nacional representante dos bancários, mas que é ligada ao Governo (o maior banqueiro do país). E embora os conscientes bancários do Maranhão tenham rejeitado esse percentual, fomos obrigados a ceder - respeitando democraticamente a decisão da maioria no país - fechando num reajuste de 1,5%, enquanto o lucro dos bancos ultrapassou os 15% sobre o capital líquido. Como se percebe, somos a parte mais fraca desse jogo, e a greve é o único instrumento eficaz de luta que temos.

Mas aí cabe uma pergunta: porque a mídia tem tanto interesse em “defender” a sociedade, tentando colocar trabalhadores contra os também trabalhadores bancários? O que interessa a ela e de quem ela está a serviço?     
Ora, uma coisa é certa, os dois maiores patrocinadores da mídia são os bancos e o Governo (como já  disse, o maior banqueiro do país). Eles juntos gastam fortunas com patrocínios, propagandas e todo tipo de publicidade que mais parecem lavagem cerebral. Quem não conhece o sacrifício da rotina de trabalho nos bancos, quando vê aqueles comerciais na TV acha que o bancário está no céu e não sabe. E dessa forma somos sufocados de dentro para fora e de fora para dentro.    
Essa luta de forças ocorre todos os dias. Os banqueiros, para atingir seus lucros bilionários, exploram sem dó bancários e clientes. Dos bancários, sugam sua força de trabalho, seus talentos, suas vidas; dos clientes e usuários, o dinheiro.    
Portanto, é preciso ter certo que trabalhador deve estar do lado de trabalhador, pois a luta de um é a luta de todos!


* Moisés Silva Espíndula, Séc. de Imprensa e Comunicação do Sindicato dos Bancários do Maranhão.


*Esse artigo foi publicado em janeiro de 2010, na edição nº 4 do VIAS DE FATO